terça-feira, 12 de abril de 2011

As fadas não existem, não mais.

E então, você vai? E com a cara de tristeza me fez um sinal de sim. Ok. Faça o que quiser, a vida é sua, sentirei saudade e te esperarei aqui. Se eu vou te esquecer? Não sei. Se eu vou continuar te amando? Muito provavelmente. Eu nunca fui desonesta. Eu não vivo em um conto de fadas que relacionamentos duram pra sempre e não se modificam. Não vejo a distância como algo que só nos faz sentir falta e nos une. Também vejo ela como algo que pode nos mudar. Mas você não. Não é nem que você viva nesse mundinho seguro, você só tem medo de admitir que seu amor pode mudar, diminuir. Tem medo de dizer na minha cara que pode chegar um dia em que não será eu quem você gritará em caso de emergência. Não será meu nome que sairá da sua boca em noites sem sono, mal dormidas. E tai, dito e feito.
Você voltou. Voltou mesmo? Será? Continua com o mesmo nome, o mesmo endereço, a mesma mania chata de não conseguir ouvir uma única musica por 50 segundos... E voltou com um novo corte de cabelo, você voltou estranho, diferente. Não voltou do jeito que foi. Eu tenho percebido nos seus olhos, na sua falta de atenção com nossos jantares da terça. Com sua vontade de ouvir musicas que fazem os olhos chorarem e não as bocas beberem. Você tava ali mas não tava e eu tava sentindo falta. Ai eu te perguntei: Fala pra mim, o que aconteceu lá? O que aconteceu ai? Esse tempo conseguiu te provar finalmente de que não existe esse amor assim, infindável? Tem outra?
Você calou de pena. Eu insisti. Você falou: Eu não te amo mais. Ou amo, sei lá. Mas é verdade, as fadas não existem. Desculpa, eu encontrei alguém. E eu senti ali na hora que ainda era amor, mas ela era novidade, aquela paixão sabe? E ela era tudo que eu não era. Ela lia pra criancinhas enquanto eu lia pra mim mesma no escuro da noite na varanda. Ela fazia almoço pros pais enquanto meu almoço era uma dose de whisky. Ela mal sabia o que era um beijo e eu já tinha dado pra 6. Ela freqüentava a igreja enquanto eu freqüentava boates. Ela tinha ar de campo e cheiro de flor. Eu tinha ar de sono e cheiro de ressaca. Eu era de escorpião, ela devia ser de virgem. To sendo irônica. To rindo pra não chorar.
Tudo bem. Eu tenho que chorar por que não posso te fazer me amar outra vez. E eu já dei muito, te dei tudo e não tenho mais nada pra dar. Eu disse com a voz falhando que a culpa não era sua, ninguém se apaixona por que quer e se fosse assim, pediria que nesse momento me apaixonasse até pelo entregador da pizza, menos por você. Eu fiquei acabada em saber que nada ou tudo que eu fizesse te traria de volta. E eu me senti com algum tipo de doença respiratória que não deixa o ar sair e prende todo o amor do mundo dentro de mim, quase me causando uma morte súbita. Eu fiquei em choque e travei. Mas sinceramente, era melhor chegar na cara e falar: prepara a armadura, chama São Jorge e abraça a fé que lá vai bomba!  Disparava a sirene que eu dava um jeitinho de fugir.
Mas agora eu não consigo fugir pra lugar nenhum. É uma sensação estranha de escutar U2 e lembrar de você, olhar a tua foto e não te ter. Eu fiquei aqui paralitica na agonia de não te ter e não conseguir não lembrar. É foda! Ta foda! To assistindo drama pensando em você com sua flor. To lendo romance imaginando você regando essa nova felicidade. Ta bom ai? Ta melhor? Você foi mesmo, pela segunda vez, mas agora foi por completo. Foi pra não voltar. Foi sem deixar esperança alguma de que o amor é bonito e estável.  Foi cuidar de um futuro melhor, enquanto eu tento te colocar no passado. Saudade...

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