Estalos na calçada com despedidas no portão, beijinhos no “verdade ou conseqüência”, voltas de mãos dadas no parque e brincadeiras idiotas bem estilo salada mista. Todos eles não, mas você, você foi o primeiro amor. Aquele de não conseguir esquecer, de chorar, de te ver partir e sentir frio por umas 900 noites seguidas. Amor mesmo, não essa fantasia besta de criança, ainda sim, gostosa. E quem dera que pra mim, ainda fosse assim. Queria eu me conformar com simples abraços quando falassem “uva” e apontassem na minha direção. Eu quis demais. E você só me ensinou que nesse jogo de azar eu era a rainha de copas e você o rei de espadas, disposto a dilacerar meu naipe.
É verdade, você acabou comigo. Mas eu não pude ter o controle por que eu mal sabia o que tava acontecendo aqui. Você me machucou e mesmo assim, com as mãos no meu rosto, disse centenas de vezes que me amava. Eu esperei que o amor fosse realmente uma coisa bonita, um momento de felicidade, uma luz no fim do túnel, um cheeseburger num SPA. Mas eu acho que fui eu quem errou, eu idealizei demais. Você me mostrou o que era o amor, eu acreditei. É isso? Ok. Eu preferi acreditar nessa única prova do que me enforcar achando uma coisa da qual eu jamais teria certeza, esse amor perfeitinho.
E eu tava destinada a ver filmes românticos com finais apaixonados em aeroportos, onde ali, tudo se acerta entre vôos atrasados e chegadas inesperadas. E diante disso, eu só conseguia achar que os diretores estavam completamente surtados. Isso é um final feliz? Nesse nosso drama policial, cheios de tiro a queima roupa, você me mostrou que feliz mesmo é alguém esperando por alguém que nunca virá. E nesse caso, o primeiro alguém sou sempre eu! Eu comecei a delirar, ou não, em pensar que o amor é algum tipo de droga injetável que na hora nos deixa em estado de puro êxtase, mas de pouquinho em pouquinho, em felicidades incompletas, nos deparamos com uma tamanha vulnerabilidade em clinicas de reabilitação, onde os corredores são longos e as portas de saída são minúsculas. O final nunca é feliz, isso quando tem final!
E fala sério, não era pra ser assim? De amor mesmo eu só sabia o que vinha da sua boca. Como eu podia achar que o amor era algo delirantemente bom enquanto a única coisa que eu provei foi amarga, mais do que café? Esse seu “amor” ai, então, vai saber. Por isso agora eu me conformo com ligações interrompidas, jantares desmarcados em cima da hora, não telefonemas no dia seguinte e todas essas esquisitices que mamãe ensinou dizendo: ele não ta afim, pula fora. Eu me desiludi por me iludir demais, talvez. O amor não é um bicho de sete cabeças, ele simplesmente não é mais nada. Eu te dei meu telefone. Vai ligar? Não vai? Pra mim tanto faz, o dia seguinte será o mesmo pra mim, com ou sem chamadas na caixa postal. Minha secretaria falou: deixe seu recado, vai de você deixar ou não.
Talvez eu esteja errada em não enxergar esse mundo colorido demais, mas no meu momento de amor, só houve noticias em preto e branco. Infelizmente, ou felizmente, eu sou quase intocável. Eu sou um robô que não se preocupa com as conseqüências de nada do que o amor trás. Eu não espero que um príncipe chegue a minha agencia entregando encomendas e de brinde traga flores, café e um pedido pra jantar. Eu não espero que ninguém me tire pra dançar. Eu ainda não posso afirmar o que o amor é, mas o amor meu, não é tão maravilhoso assim. Se alguém te ensinar que um limão é roxo e você nunca viu limões, como discordar e saber que o mesmo é verde? É, é complicado. E eu só sei dessa parte do amor, essa assim, meio com cara de limão. Tudo que é pouco, tem sido muito pra mim.
Adoreeei!
ResponderExcluirvalheu =)
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